As disputas que alimentam a reta final do Brasileirão Assaí

O Brasileirão Assaí chegou em sua reta final. Restando apenas sete rodadas, ainda há muita coisa por definir. Não é o caso do título, que está cada vez mais encaminhado para o Palmeiras, decidido a não dar emoção nessa frente.

O Verdão fez um campeonato irretocável, está com as duas mãos na taça e deve ir para a sua 11ª conquista (a terceira na era dos pontos corridos) com todos os méritos. As chances matemáticas do Internacional, 2º colocado e que está 10 pontos atrás, são de 1,57%. Faz totalmente sentido, pois o Palmeiras não perde.

Mas nem só título se faz um campeonato de pontos corridos. As brigas por vaga na Libertadores (fase de grupos e preliminar), Sul-Americana e pela permanência na elite do nosso futebol serão intensas. Na parte de cima, seguindo sua ordem, Palmeiras, Internacional, Corinthians e Flamengo conquistariam a vaga direta para a Libertadores se o Brasileirão Assaí terminasse hoje, enquanto Fluminense e Athletico-PR iriam para a pré.

Acontece que Flamengo, Athletico e Corinthians estão envolvidos com as finais da Libertadores e Copa do Brasil. Se os campeões de cada torneio terminarem entre os 6 primeiros, teremos um G-8, com 7º e 8º colocados conquistando a vaga para a pré-Libertadores. Hoje, estão nessas posições Atlético-MG e América-MG.

Vivendo recuperação, o Atlético está há três jogos sem perder e alcançou os 47 pontos, enquanto o América-MG tem a 4ª melhor campanha do returno e 45 pontos. Os dois encostaram no Athletico-PR, que tem 48 pontos e só venceu um dos últimos cinco jogos. De olho numa perspectiva por G-8 ainda estão na briga Botafogo com 43, Fortaleza com 41, além de Santos e São Paulo, ambos com 40 pontos. E até mesmo Bragantino e Goiás, com 38, por que não?

Virando G-8, de fato, o Brasileirão Assaí amplia seu leque não só na zona de acesso para a Libertadores, como também para a Copa Sul-Americana. Originalmente, as vagas diretas ao torneio pegam do 7º ao 12º colocado. Mas, na prática, o G-8 da Libertadores levaria do 9º ao 14º para a Sula. Clubes que hoje estão lutando contra o rebaixamento poderiam terminar a campanha com uma vaga continental.

A luta pela sobrevivência parece estar entre cinco clubes. Com apenas três vitórias, tendo sido a última na 19ª rodada, o Juventude está com 20 pontos e a 13 de sair da zona de rebaixamento. Sua sobrevivência é, neste momento, improvável.

Avaí (19º), Atlético-GO (18º) e Cuiabá (17º) têm o mesmo número de vitórias no campeonato: sete. Eles formam uma “escadinha”, com 28, 29 e 30 pontos respectivamente. Todos ainda podem se salvar, mas para isso precisarão fazer o que não fizeram até agora: engrenar.

O Cuiabá tem confrontos diretos com Ceará, Avaí e Coritiba. O Atlético-GO ainda pega Juventude e Ceará. Ao Avaí, resta enfrentar Cuiabá e Ceará. A projeção é que a briga envolva até o Coritiba, que hoje tem 34 pontos e está no “raio” dos adversários diretos. De confronto direto, o Coxa só tem o Cuiabá na última rodada. Mas fará clássico com o Athletico-PR neste domingo e uma derrota pode complicar a sua situação, já que mais da metade dos seus jogos restantes é com clubes da parte de cima da tabela. Sob o embalo do artilheiro Pedro Raúl, o Goiás está a 8 pontos do Z-4 e parece olhar mais para cima que para baixo nessa altura.

Por falar em artilharia, essa sim promete ser uma disputa e tanto até o fim. Pedro Raúl e Cano estão empatados com 17 gols e desgarraram de Bissoli (14). Calleri tem 13, Hulk melhorou e chegou a 12. Ainda aparecem entre os mais goleadores do campeonato Marcos Leonardo e Gabigol, com 11, além de Mendoza, Pedro e Rony, com 10 gols cada.

A briga entre os líderes da artilharia aponta para boas curiosidades. Se Pedro Raúl for artilheiro, se juntará a Túlio Maravilha, Dimba e Souza no seleto grupo de jogadores que foram artilheiros do Brasileirão Assaí jogando pelo Goiás.

Se Cano for artilheiro, será apenas a segunda vez que um estrangeiro fica com o posto. A única até então foi com o uruguaio Pedro Rocha, que anotou 17 gols com a camisa do São Paulo em 1972 e dividiu a artilharia com Dadá Maravilha.