Germán Cano ou Pedro Raúl: quem será o artilheiro do Brasileirão Assaí?

Restam quatro rodadas para o fim do Brasileirão Assaí, e a briga pela artilharia está intensa (muito mais acirrada do que a disputa pelo título, por exemplo).

Na dianteira está o argentino Germán Cano, máquina de gols, que abriu vantagem para Pedro Raúl ao marcar duas vezes na vitória sobre o Corinthians. O atacante do Fluminense tem 38 gols no ano, sendo 20 neste campeonato, contra 18 do artilheiro do Goiás. O duelo entre eles tende a pegar fogo até o fim, mantendo o equilíbrio que vimos praticamente desde maio.

O Goiás tem um jogo atrasado da 32ª rodada contra o Corinthians, em casa. E ainda enfrentará Athletico Paranaense (fora), Juventude (casa), Fluminense (fora, num “confronto direto”) e São Paulo (casa). No primeiro turno, Pedro Raúl marcou contra Athletico e Fluminense.

Já o Fluminense de Cano vai jogar contra Ceará (fora), São Paulo (casa), Goiás (casa) e Bragantino (fora) nesta reta final. O argentino já deixou o dele contra Ceará, Goiás e Bragantino. Claro que futebol não é ciência exata, mas com o cenário repetido, o argentino terminaria na frente.

Cano, aliás, merece um parágrafo só para ele. O centroavante do tricolor fez 14 gols no Brasileirão Assaí pelo Vasco em 2020, um time que criava poucas chances e acabou rebaixado. Neste ano, foi líder da artilharia praticamente o campeonato todo, numa regularidade admirável.

Cano já se tornou o estrangeiro com mais gols numa única edição do Brasileirão Assaí com 20 times. Na era dos pontos corridos, está a um de Aristizábal, que marcou 21 pelo Cruzeiro em 2003 (46 rodadas).

De quebra, caso confirme a artilharia, pode se tornar o segundo estrangeiro a terminar o a competição como artilheiro, o que não acontece desde 1972, quando o uruguaio Pedro Rocha conseguiu o feito. Algo também relevante é que nos últimos 10 anos, apenas em quatro edições o artilheiro furou a marca dos 20 gols. Fred em 2012 (pelo Fluminense), Éderson em 2013 (Athletico), Ricardo Oliveira em 2015 (Santos) e Gabigol em 2019 (Flamengo), o “recordista” do grupo com 25. Cano tem 20…

Atrás vem gente?

Podemos dizer que há um segundo pelotão vindo logo atrás, formado por Calleri e Bissoli, com 15 e 14 gols respectivamente. O argentino do São Paulo tem como motivação a briga pela vaga na próxima Copa Libertadores e tende a levar vantagem, por jogar num time melhor tecnicamente. Bissoli tem a dura e quase impossível missão de salvar o Avaí do rebaixamento.

Considerando que os próximos da fila são o lesionado Hulk (12), que não joga mais em 2022, Marcos Leonardo e os finalistas da Libertadores Gabigol e Pedro (os três com 11), dá para dizer que só um milagre os alçaria ao topo da artilharia a essa altura.

Feio é não fazer gol…

Se a artilharia fosse medida por gols de pênalti, Bissoli seria o líder, com 9 de seus 14 gols marcados dessa maneira. Pedro Raúl fez três. Os dois com 100% de aproveitamento nas cobranças.

Já na escolha do Craque Assaí do mês, os artilheiros também foram protagonistas. Calleri venceu em abril e maio, quando começou voando. Cano foi o escolhido em julho e setembro. Na frequência de gols em minutos, Pedro é quem precisa de menos tempo em campo para balançar a rede: 107 minutos. Ele é seguido por Pedro Raúl, que precisa de 134 minutos. Cano precisa de 138, enquanto Calleri, 160. Bissoli, de 167.

Quem leva?

Cano e Pedro Raúl estão se destacando de forma muito curiosa. Os dois defendem equipes com estilos de jogo completamente diferentes. O antagonismo na posse de bola do time de Fernando Diniz, que cria diversas chances por jogo, em contraponto ao time de Jair Ventura, que costuma desempenhar uma postura mais fechada e jogar no contra-ataque, é mais um tempero nessa briga.

Não é absurdo afirmar que Cano tem leve favoritismo nessa disputa. Porém, também não seria nenhuma surpresa se Pedro Raúl ficasse com a artilharia. E olha que ainda é possível os dois terminarem empatados…